Reunidos em Assembleia, Munduruku enviam carta de apoio aos Guarani Kaiowá!

Aldeia Munduruku Dace Watpu, Município de Itaituba, Pará

25 de setembro de 2015

Quando uma comunidade é atacada, todos nós sentimos a violência:
a luta por vida, terra e demarcação é de todos nós.

Nós, povos Munduruku, Munduruku Cara Preta, Arapium, Borari, Kaxuyana, e lideranças das comunidades Pimental, Montanha e Mangabal e membros da sociedade civil, reunidos na XI Assembleia do Médio Tapajós desde 22 de setembro, expressamos o nosso repúdio aos ataques sofridos pelos parentes Kaiowá e Guarani, em Mato Grosso do Sul. No último mês, a cada três dias uma comunidade sofreu um ataque armado. Em um desses ataques o parente Semião Vilhalva foi assassinado – com um tiro na cabeça enquanto bebia água em um rio.

Consideramos inaceitável a violência sistemática à qual os parentes de Mato Grosso do Sul estão submetidos: perseguição, criminalização e assassinato de lideranças, esbulho de terras tradicionais, envenenamento de terras e rios e outros tantos crimes. Com isso é gerada uma situação de insegurança e vulnerabilidade tão grandes, que a população Kaiowá registrou os maiores níveis de suicídio do Brasil nos últimos anos.

A luta dos Kaiowá e Guarani e a dos povos da Amazônia são a mesma. Povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas defendem o direito a vida, à autodeterminação e o reconhecimento de seu território. Hoje e sempre, exigimos respeito aos direitos. E não aceitamos mais nenhuma morte.

Terminamos aqui a nossa assembleia com dor ao pensar nos parentes Guarani Kaiowá que sofreram e ainda sofrem com os últimos ataques paramilitares (como continuamos sofrendo com a morte do jovem guerreiro Munduruku Adenilson Kirixi) e exigimos justiça:

CHEGA DE MILÍCIAS ARMADAS!
CHEGA DE ÓDIO CONTRA AS POPULAÇÕES INDÍGENAS!

VIVA ADENILSON KIRIXI! VIVA SEMIÃO VILHALVA!

VIVA OS TERRITÓRIOS SAGRADOS E OS RIOS LIVRES DE BARRAGENS!

SAWEEE!!!documento-pag1

Carta dos Munduruku em apoio aos Guerreiros Guarani Kaiowa, Guerreiros Ka’apor e a todos os guerreiros indígenas do país.

A carta do povo Ka’apor, povo do Maranhão, divulgada no começo do mês que além de solidarizar com a luta dos povos Guarani Kaiowa e Munduruku, convoca todos  a uma contínua união  em torno da luta contra os saqueadores de direitos de comunidades tradicionais, donos de terras e governantes deste País. Esta carta, foi respondida pelo Movimento Munduruku Ipereg’ayu, leia  a carta na íntegra:

(Carta do Ka’apor aos Guerreiros Guarani Kaiowá e Guerreiros Munduruku aqui.)

01

Carta dos Munduruku em apoio aos Guerreiros Guarani Kaiowa, Guerreiros Ka’apor e a todos os guerreiros indígenas do país.

Nós, Munduruku do médio tapajós, com quatro aldeias localizadas no município de Itaituba-PA e um novo território em processo de autodemarcação dentro da área de empreendimento do governo, onde o território é dos munduruku antes mesmo da chegada dos pariwat invasores do século XV, no tempo dos colonizadores.

Toda a população indígena do Brasil sabe que o governo brasileiro nunca respeitou o nosso direito, mesmo ele existindo na Constituição Federal de 1988. E nenhum político que ocupa o cargo no congresso defende o direito dos povos indígenas. Se fosse um bom politico, não votaria em aprovar a Lei que acaba com os direitos dos povos. Revogaria a PEC 215, a Portaria 303 da AGU e outros projetos de lei, como o novo código da mineração.

Além do mais, os grandes projetos do governo estão atropelando os direitos de todos os povos indígenas do Brasil. Um deles é a construção de Usinas Hidrelétricas no Pará: Belo Monte, São Luiz do Tapajós e mais 4 ao longo do leito do tapajós; uma no Jatobá; uma no Chacorão; outra já em fase final no rio Teles Pires e com continuidade em São Benedito, no rio São Manoel e mais três a serem construídas no rio Jamanxim. E todas elas produzirão energia, mas não beneficiarão nenhuma cidade mais próxima e muito menos a comunidade indígena.

A Energia virá apenas para favorecer as grandes empresas, como as mineradoras e as multinacionais. A hidrelétrica não gerará energia para as pequenas populações que não tem condição de pagar energia cara. Então, com a barragem construída virão mais outros grandes projetos de destruição: a ferrovia; a hidrovia no rio tapajós para escoar os grãos de soja, para exportar ao exterior. E com isso pretendem construir 7 portos no leito do tapajós e asfaltar a BR- 163.

Parentes Guarani Kaiowa, Ka’apor e todos os outros povos que lutam como nós: nós, munduruku, sentimos muitas dores por vocês, pelo tamanho crime que os governantes vêm cometendo, com nossos assassinatos recorrentes. Há séculos os pariwat vêm tomando as nossas terras, vem tirando a vida de nossa floresta que nos dá alimentos para nossa família e que nos dá até medicação. Violentam e estupram a nossa mãe Terra e a deixa desonrada, não a respeita.

O governo, com o seu projeto, não traz “progresso e nem desenvolvimento”, só traz morte. E a população indígena não tem direito de contestar esse tipo de violação. E quando nos manifestamos indignados, com toda razão e com direitos, o governo diz: “estão atrapalhando”. Nós, indígenas, não estamos atrapalhando ninguém. Porque não somos nós que estamos indo a Brasília para tomar as terras dos pariwat e matar. Nem vamos lá para desrespeitar os seus direitos e não invadimos os seus territórios. Como dizem que estamos atrapalhando se foram eles mesmos que fizeram essa tal de Lei para ser obedecida e cumprida e não estão nem respeitando o que eles mesmos escreveram? E não fomos nós. Nós exigimos que o governo garantisse o nosso direito constitucionalmente, na carta magna, na Assembleia constituinte.

Parentes, vamos lutar juntos. É só observar como a natureza nos ensina. Observamos que as formigas taoca nunca caçam sozinhas, mas em bando. Elas entram nas ocas e fazem fugir as mais temíveis cobras, escorpião, centopeia, aranhas, a onça, a grande cobra. Entram em oco de paus e capturam e destroem qualquer espécie que encontram pela frente. Essas formigas são perigosas.

Da mesma forma agem os maribondos. Eles nunca atacam sozinhos. E também as formigas vermelhas ferozes: primeiramente ela vem sozinha e logo em seguida vem o bando para atacar. Os porcos do mato nos ensinam tudo sobre a arte de lutar ou da guerra. As onças, no período do cio, juntam-se em bando para acasalar. As espécies animais nos ensinam tudo isso. Em todos os momentos de nossa vida, nós indígenas, devemos sempre estar juntos.

O momento é esse para lutarmos juntos, contra o nosso maior inimigo, que é o governo. Vamos formar uma grande aliança como o nosso saber nos ensina: a sabedoria do jabuti. Ele é lento, mas não é lerdo. Ele anda devagar, mas não fica para trás. Tem uma resistência e ninguém o derrota. Ele sempre vence. É muito inteligente e sábio.

A única forma é essa: Nós temos que unir nossas forças. Todos os povos indígenas do Brasil e do mundo, desde o norte até o sul, do o oriente ao ocidente. Vamos dar o grito de “basta”! Chega de nos massacrarem, de violarem nossos direitos. Chega de tomarem as nossas terras.

Então, se fizermos uma grande mobilização de nível nacional e internacional poderemos vencer o nosso maior inimigo. Nós não vamos levantar a nossa machadinha para derramar sangue. Queremos mostrar que somos um povo que luta pela vida de todos os seres humanos que dependem da natureza, e não da guerra.

Todos os povos devem se juntar para essa grande batalha pela PAZ, o amor pela natureza, o amor a vida. De todos os seres existentes, que possuem formas de vidas diferentes. Por que nós dependemos de todos eles.

Sawe!

Movimento Ipereg’ayu e Associação Indígena Pariri

Aldeia Sawre Muybu, 15 de julho de 2015

Carta dos Munduruku apoio kaapor e guarani kaiowa

A carta do Repúdio do Povo Munduruku contra PEC-215.

Mundurukania, 30 de outubro de 2015

Nós povo Munduruku,  repudiamos sobre a violência da discriminalidade da PEC 215. viemos a informar e dizer que não  aceitarmos  a modificações da nossa Lei que nos garantem na constituição de 1988,  a preservação e a nossa sobrevivência nativa, não negociamos nosso direito,nossa mãe terra  Ela é pra garantir as futuras gerações do nosso povo. A floresta é de onde a gente sobrevive. Ela cuida, mantém e dá alimento pra nós. Ela sempre dá seu fruto para novos gerações que são nossos pequenos  filhos.

Continuar lendo A carta do Repúdio do Povo Munduruku contra PEC-215.

DA AMAZÔNIA DOS ÚLTIMOS 13 MIL ANOS AOS MUNDURUKU

Todo mundo quer saber de Amazônia. Há dados imensos para todas as pautas e áreas de pesquisa, tanta informação e tanto desconhecimento. Nossa floresta nacional, brasileira como nós, com brasileiros como nós dentro dela, há séculos não é uma mata intocada, nem mesmo (ou “muito menos”) nos seus primórdios. Os dados de pesquisas arqueológicas dos últimos cinquenta anos compilam denso passado ainda vivo, desde a mínima constatação de como viviam nossos ancestrais aos costumes, ainda hoje como lá atrás, presentes no cotidiano das populações ribeirinhas e dos povos indígenas, os mesmos que travam resistência contra a política energética extrativista do governo federal. Assustador pensar que possamos estar testemunhando os sítios arqueológicos de amanhã.

A pergunta que nos vem à mente, quando confrontamos passado e presente numa mesma fração de segundo: o que os arqueólogos, desbravadores do século XXI, encontrarão num futuro próximo entre os escombros? São muitos os sítios, assim como os fenomenais geoglifos no Acre, descoberta feita por arqueólogos brasileiros, cortados por rodovias; cavernas com pinturas rupestres implodidas à dinamite de mineradora; desenhos em pedra naufragados por usinas hidrelétricas. Paradoxalmente são muitas as pesquisas que vêm acontecendo a reboque dessa mesma economia que, por força de lei e não por gosto, acaba mantendo levas de pesquisadores em plena floresta. A mesma economia e seu modelo de “desenvolvimento” que nos entrega o colapso de Altamira (PA) e ameaça os Munduruku e suas terras, no Tapajós.

O Xingu está morrendo, a Amazônia vive uma espécie de morte, e um tanto desse documento, do que resiste e está vivo, não só na luta que se trava na região, “arco e flecha” contra “Força Nacional”, está em “Na Rota dos Arqueólogos da Amazônia – 13 mil anos de selva habitada”, livro-reportagem da jornalista Solange Bastos, que vem com o documentário “Mundurukânia, na beira da história”, do diretor Miguel Viveiros de Castro.  A pesquisa é primorosa, os dados são impressionantes e o conceito é inédito: em um único projeto, os arqueólogos e suas pesquisas com suposições e respostas sobre nossos antepassados e sobre a maior floresta do mundo. No documentário, os sítios sendo escavados e o acompanhamento inédito da autodemarcação das terras pelos Munduruku.

Orgulhosamente, o Coletivo Carranca é citado no livro, mais de uma vez, como referência de conteúdo. As matérias citadas em Box e notas de rodapé denunciam o retrocesso na política ambiental e cultural impetrado pelo governo brasileiro, as ameaças sobre nosso patrimônio material e imaterial, a tragédia de Belo Monte e no Tapajós e a luta de ribeirinhos e dos Munduruku. A série foi produzida pelos Carrancas Rachel Gepp, Rui Massato Harayama e Raquel Boechat — que também assina um dos capítulos anexos sobre a Política, a Arqueologia e o Direito.

Hoje, 30/09, dia em que nosso Coletivo comemora dois anos de sua primeira transmissão ao vivo (de uma das mais violentas manifestações dos professores do Rio de Janeiro), estar no primeiro dia de lançamento desse projeto, produzido por ativistas em essência, além de uma honra é uma bela maneira de comemorarmos a materialização de nosso “midiativismo” nas entranhas da academia e da micropolítica nacional.

Em próxima edição especial, entrevista exclusiva com Miguel Viveiros de Castro e Solange Bastos.

A caravana de lançamento que começa hoje!

– 30/09: Goiânia, às 16h – Auditório do Museu Antropológico da UFG – Praça Universitária no. 1166 ao lado da Área II da PUC-Goiás.

– 03/10: Brasília, às 19 h – Balaio Café – CLN 201, bloco B, loja 19/31, Asa Norte.

– 13/10: Rio de Janeiro, às 18 h – Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Av. Marechal Câmara, 150, Centro, com a presença do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

– 15/10: São Paulo, às 19h – na Sala Petrobras da Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino.

– 04/11: Belém, às 18h – Espaço Casulo Cultural – Travessa Frutuoso Guimarães, 562 – Campina.

Haverá lançamentos também em Teresópolis, Santarém, Alter do Chão, Itaituba e na aldeia Munduruku Sawré Muybu, entre 22 3 31/10.

Fonte: Coletivo Carranca

Guerreiras Munduruku fazem um filme da autodemarcação

Nós, guerreiras da aldeia Sawré Muybu, se dediquemos a fazer um filme da autodemarcação para mostrar que não estamos de braços cruzados esperando o governo.

Entrevistando guerreiro na autodermarcação
Entrevistando guerreiro na autodermarcação

A gente mostrou o quanto temos coragem para lutar. A nossa autodemarcação não está sendo fácil, como seria para o governo pegar a caneta, assinar e pronto.

Mas nós estamos lutando pela nossa terra e nunca, jamais, desistiremos do que é nosso por direito.

O filme será exibido para o povo Munduruku, na assembléia que começa no próximo dia 22, na aldeia Dace Watpu, no médio Tapajós.

Nós queria que as pessoas dessem apoio divulgando o filme para mostrar que a gente é contra a hidrelétrica.

Guerreiras editando o filme
Guerreiras editando o filme

Manifesto pelo Direito de Autodeterminação, Autodemarcação e Retomadas das Terras Indígenas

Manifesto em Solidariedade e Apoio às Resistências e Retomadas Guarani Kaiowá Nhandeva e Terena na Região Centro-Oeste e Indígenas em todo o Brasil

Em repúdio à violência assassina do latifúndio em cumplicidade com o estado brasileiro

Pelo Direito de Autodeterminação, Autodemarcação e Retomadas das Terras Indígenas

A situação é de extrema tensão e violências no estado do Mato Grosso do Sul contra o povo Guarani Kaiowá e vem se agravando com a propaganda do ódio racial anti-indígena e os ataques de jagunços e milícias armados a mando de organizações criminosas de ruralistas, especificamente na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, já homologada pelo Decreto Presidencial de 28/03/2005. Mas, a homologação está, desde então, suspensa, por decisão em favor do latifúndio do Superior Tribunal Federal.

SIMIÃO FERNANDES VILHALVA GUARANI KAIOWÁ, PRESENTE!
No sábado à tarde do dia 29 de agosto de 2015, latifundiários e políticos ruralistas locais reunidos, em seu sindicato, decidiram pelo uso da violência e do terror contra os indígenas para expulsá los de seu território ancestral, retomado. E assassinaram, com três tiros, Simião Fernandes Vilhalva, liderança Guarani Kaiowá de apenas 24 anos, tendo feito outros feridos, inclusive crianças.
Na última quinta, 03 de setembro, a Tekoha Guyra Kamby’i também foi atacada por milícias organizadas por latifundiários, e as ameaças contra diversas comunidades indígenas continua. Dois dias depois, no dia 5, um indígena ainda não identificado, de 54 anos, foi encontrado morto a tiros no banheiro de sua casa na Aldeia Taquari, no município de Coronel Sapucaia. Todas estes acontecimentos aqui citados ocorreram na região indígena de Kurussu Ambá, no Mato Grosso do Sul.

RETROCESSO SOCIAL E A REATUALIZAÇÃO DO HOLOCAUSTO INDÌGENA MODERNO-COLONIAL
Diante das consecutivas denúncias de formação de milícias armadas contra as comunidades indígenas, no entanto, o governo federal continua omisso e cúmplice da classe dos grandes proprietários rurais. Os órgãos responsáveis pela proteção aos direitos das minorias, conforme legislação de direitos humanos constitucional e internacional, como a FUNAI, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Ministério da Justiça, entre outros, mantêm uma relação de cúmplice omissão em relação às violências que vêm sendo praticadas pelos proprietários, diretamente, bem como pelo estado, direta e/ou indiretamente, pela violação institucionalizada de nossos direitos:
Nós, povos indígenas, pessoas e organizações de apoio solidárias subscritos, em nome de nossa ancestralidade, que vem por nós, denunciamos o genocídio, o holocausto, que nossos povos vêm sofrendo desde 1492 e que se reatualiza até os dias atuais. A violência contra a vida das lideranças e comunidades indígenas em todo o país decorre do avanço do capitalismo contra territórios ancestrais e contra a terra-mãe, contra os direitos dos povos historicamente minorizados e vulnerabilizados e contra as classes trabalhadoras, como retrocesso social. E, pelo cerceamento dos direitos civis e políticos e criminalização dos movimentos sociais, esta violência institucionalizada, sistêmica, se revela como estado de exceção!
Além dos assassinatos, a máquina capitalista opera o seu genocídio nos milhares de casos de jovens indígenas suicidados, privados da terra, de seu sustento, subempregados, escravizados, e privados de sua cultura ancestral. Dos mortos por desnutrição, pela falta da devida atenção à saúde, à assistência, e aos direitos fundamentais.
Na série histórica 2003-2014, segundo dados do CIMI, em 2003, 42 indígenas foram assassinados, em 2004, 37, 2005, 43, 2006, 58, em 2007, 92 indígenas foram assassinados, em 2008, 2009, 2010, foram 60 assassinados em cada um destes anos, em 2011, forma 51, em 2012, 60 assassinatos, em 2013, 53 indígenas assassinados, em 2014: 138! Foram, ao todo, desde 203, 754 indígenas assassinados, destes, 390 só no estado do Mato Grosso do Sul.

CONTRA O TERROR DE ESTADO CAPITALISTA DE EXCEÇÃO
Diante deste quadro, gravíssimo, vimos por este Manifesto requerer: 1. A imediata desapropriação e demarcação de todas as terras indígenas, conforme determina a Constituição de 1988; 2. A realização das devidas investigações quanto a este e aos demais assassinatos ocorridos recentemente contra indígenas em situação de conflitos territoriais, com o acompanhamento de associações indígenas e organizações de direitos humanos da sociedade civil indicadas pelos indígenas; 3. Intervenção no referido sindicato ruralista-latifundiário, do caso citado acima (conforme noticiado pela imprensa e denunciado pela Aty Guaçu – Assembléia Guarani Kaiowá) por graves indícios e suspeita de crimes contra a vida e de organização criminosa, terrorismo, incitação ao crime, entre outros contidos no fato.

O DIREITO À TERRA COMO DIREITO À VIDA E À DIGNIDADE
Compreendemos que o direito à vida e à dignidade, que no caso de povos indígenas, autóctones, está diretamente associado ao direito à terra, deve ser de cumprimento e garantia imediatos, inclusive por se tratarem de povos historicamente minorizados; Que o acesso à terra indígena por seus povos originários deve preceder qualquer tipo de processo de direito privado; E que, conforme o Estatuto do Índio, a utilização das forças armadas só pode ocorrer estritamente para a defesa destes povos.
E, neste sentido, do que requeremos e compreendemos acima, que convocamos a todas as autoridades responsáveis, seja como parte do corpo técnico do estado, seja como parte da classe jurídico-política, a se fazerem de fato responsáveis e presentes diante do conflito, em defesa dos povos e grupos sociais historicamente minorizados e nesta situação, atual, de forte ameaça das classes proprietárias rurais capitalistas, de forma prioritária.
Convocamos a sociedade para cerrar fileiras com estas comunidades e povos indígenas contra toda forma de violência, arbítrio,violação de seus direitos, e pelo reconhecimento de seus territórios e de seus direitos à autodeterminação, autodemarcação e retomada de seus territórios, como lugar de vida, como lugar de (re)existência.

Ñande Ru Marangatu, Rexiste!
Marçal Tupã, presente!
Marinalva Manoel, presente!
Simião Fernandes Vilhalva, presente!
Somos todxs Guarani Kaiowá!

Somos todxs Guarani Kaiowá Nhandeva Mbya Terena Munduruku Tupinambá Manauá Tenetehara

Somos todxs Indígenas na resistência, na luta indígena!

Opine, compartilhe, entre em contato, assine, divulgue, participe desta luta!

Jovens Munduruku se reúnem para discutir estratégia de comunicação

Hoje, 12 de setembro, na Aldeia Praia do Mangue, localizada em Itaituba-PA, jovens se reuniram para discutir estratégia de atuação em conjunto. Estavam reunidos jovens da oficina de rádio comunitária da Praia do Mangue e as jovens da oficina de áudio visual da aldeia Sawré Muybu.

Conversamos sobre como os impactos da hidrelétrica do Tapajós vai afetar nossas vidas e como nos organizar para defender nosso território. No encontro o professor de Língua Munduruku, Alexandre, comentou ”o impacto que a aldeia vai sofrer depois de  fazer a hidrelétrica do Tapajós, mas para isso não acontecer, nós Munduruku, temos que preparar para lutar contra o projeto do governo”.

Lucineide Saw Munduruku, filha do cacique Juarez, da aldeia Sawré Muybu, que está participando da autodemarcação, disse ”nós vamos usar a câmera como uma arma”.

A assembléia do povo Munduruku do médio Tapajós será realizada entre o dia 22 a 25 de setembro,na aldeia Dace Watpu, estarão presentes várias lideranças do alto Tapajós e convidados.

Pela primeira vez, nós jovens Munduruku, se unimos  para fazer a cobertura da assembléia para informa as pessoas que não estão sabendo, através da comunicação e mostrar o mundo inteiro que juntos unimos forças para lutar pelo nosso direito, pela nossa liberdade de viver em paz em nossas terras.

Para saber mais informações sobre a luta do povo Munduruku, contra barragem, fiquem ligados no blog!!!!!!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 25 outros seguidores