Sobre

Cansados, após 13 anos de espera pela Fundação Nacional do Índio (Funai), indígenas da etnia Munduruku iniciaram a autodemarcação da terra indígena Daje Kapap Eypi, localizada nos municípios de Itaituba e Trairão, oeste do Pará.  O local fica a poucos quilômetros da área prevista para a construção da usina de São Luiz do Tapajós, de 8.040 megawatts.

Com facões, enxadas e auxílio de GPS, adentraram a mata fechada, fincando picos nos principais limites da TI. De forma independente, cercam o território historicamente ocupado pela etnia.

Para dar visibilidade a essa luta tão custosa dos Munduruku, construímos este espaço especial sobre o assunto. Aqui,  publicaremos conteúdos (textos,vídeos, áudios e fotos) sobre a saga de um povo pelo direito de permanecer na sua terra.

Entenda mais

O Relatório Circunstanciado Integrado da terra indígena está pronto desde setembro de 2013 e deveria ter sido publicado no Diário Oficial da União para a continuidade no processo de demarcação, o que não aconteceu.  Estava NA MESA da ex-presidente da Funai, pronto para homologação, mas não foi assinado.

Em setembro deste ano a presidente da Funai se reuniu com lideranças do alto e médio Tapajós em Brasília. Como pauta da reunião estava a demarcação da terra indígena Daje Kapap Eypi. Maria Augusta disse com todas as palavras aos indígenas que a publicação do relatório ainda não aconteceu porque o lugar fica  “localizado em uma área de empreendimentos” e a  Funai junto com outros Ministérios estaria estudando formas de conciliar a demarcação com os empreendimentos hidrelétricos na região.

A conciliação é inviável para os indígenas: “Como que o governo faz barragem e quer dizer que não vai chegar na gente aqui? Estamos demarcando nossa terra aqui. Vamos até o fim da autodemarcação. A gente quer a nossa terra demarcada. A gente não quer barragem”, afirma Juarez Saw, cacique da aldeia Sawré Muybu.
Maria Augusta prometeu que voltaria a se reunir no final de outubro para dar retorno sobre a publicação do relatório aos indígenas, mas abandonou o cargo antes disso sem se manifestar sobre a demarcação.

Devido à morosidade, os indígenas se reuniram e decidiram por conta própria colocar limites no território. “Já é tempo demais de espera pela Funai. A gente sabe que se depender deles essa demarcação não vai sair por causa dessa barragem aí. Então tem que ser nós mesmo”.

A autodemarcação segue sem data para acabar.

 

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