O povo do Tapajós se encontra para falar sobre impacto da mineração

Foto Rilliete Akay Munduruku

Foi ocorrido em Santarém, no Pará, nos dias 17 e 18 de setembro, o Seminário Mineração no Tapajós. Estava presente as comunidades de Oriximiná, Juriti Velho, Munduruku do médio e do alto e Santarém para discutir como defender nosso território contra os grandes inimigos empreendedores que estão ao nosso redor, tentando intimidar nós.

Esse encontro foi para falar sobre o impacto que vai acontecer na nossa região, os parceiro que estão realizando foi o Ibase e com apoio do Movimento Tapajós Vivo, Fase, Pastoral Social, Faor e UFOPA.

Para falar do que está acontecendo em nossa volta estavam os povos indígenas, os ribeirinhos e os quilombolas. Osvaldo Lima Silveira, do assentamento Grama Lago Grande, no município de Santarém, respondeu a proposta da representante do Ministério Público, de legalizar o garimpo. Ele falou “Fiquei muito triste quando a doutora do Ministério Público Federal, disse que a Alcoa é excelente. Ela não é ribeirinha, ela não pesca, não vive da caça, não junta castanha para tirar o sustento da família. Ela estudou nas melhores universidades e não é por acaso que ela ocupa esse cargo. Agora pra nós, que a universidade ainda tá longe de nós, a gente tá produzindo farinha, juntando castanha, tirando seringa, pescando pra dar o sustento da família, para a gente que tá dentro dos impactos não é fácil. Ela não come as mesmas coisas ruim que a gente come, ela não convive com esse clima, ela não tá ouvindo o barulho de máquina, ela não tá vendo as castanheiras no chão. O impacto é muito grande. A gente não tem faculdade, mas a gente quer viver. E viver bem. E comendo bem. E morando no que é nosso, sem ser expulso do nosso território.”

Maria Leusa, liderança do povo Munduruku, fala pra gente manter a força para defender a nossa floresta. “A gente sabe que está ameaçados. Hoje em dia a gente não espera mais do governo para proteger nosso território. Nós mesmos temos que agir para a nossa segurança, das nossas futuras gerações, assim que aprendemos a lutar. Escutar essas histórias isso dói, isso corre sangue e na veia de cada um de nós. Somos o povo do Tapajós, a partir daqui apenas só muda a etnia, a cor, somos lutadores pelo nosso território. O direito não se negocia, nós temos o direito de reagir, o direito de defender o que é nosso. A gente não tá pedindo o que é dos outros. Daqui a gente sai gritando, reagindo, mostrando a nossa luta, mesmo que a gente esteja sofrendo ameaça. Os povos indígenas no Brasil estão morrendo, em pouco dias mataram nosso parente Guarani, isso dói quando a gente vê.”

Então é por isso que tem que acabar com esse garimpo, uma coisa que está prejudicando o nosso rio, a nossa convivência com a floresta. A gente não quer ver a poluição que está acontecendo no nosso território onde a gente vive.

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Guerreiras Munduruku fazem um filme da autodemarcação

Nós, guerreiras da aldeia Sawré Muybu, se dediquemos a fazer um filme da autodemarcação para mostrar que não estamos de braços cruzados esperando o governo.

Entrevistando guerreiro na autodermarcação
Entrevistando guerreiro na autodermarcação

A gente mostrou o quanto temos coragem para lutar. A nossa autodemarcação não está sendo fácil, como seria para o governo pegar a caneta, assinar e pronto.

Mas nós estamos lutando pela nossa terra e nunca, jamais, desistiremos do que é nosso por direito.

O filme será exibido para o povo Munduruku, na assembléia que começa no próximo dia 22, na aldeia Dace Watpu, no médio Tapajós.

Nós queria que as pessoas dessem apoio divulgando o filme para mostrar que a gente é contra a hidrelétrica.

Guerreiras editando o filme
Guerreiras editando o filme

Manifesto pelo Direito de Autodeterminação, Autodemarcação e Retomadas das Terras Indígenas

Manifesto em Solidariedade e Apoio às Resistências e Retomadas Guarani Kaiowá Nhandeva e Terena na Região Centro-Oeste e Indígenas em todo o Brasil

Em repúdio à violência assassina do latifúndio em cumplicidade com o estado brasileiro

Pelo Direito de Autodeterminação, Autodemarcação e Retomadas das Terras Indígenas

A situação é de extrema tensão e violências no estado do Mato Grosso do Sul contra o povo Guarani Kaiowá e vem se agravando com a propaganda do ódio racial anti-indígena e os ataques de jagunços e milícias armados a mando de organizações criminosas de ruralistas, especificamente na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, já homologada pelo Decreto Presidencial de 28/03/2005. Mas, a homologação está, desde então, suspensa, por decisão em favor do latifúndio do Superior Tribunal Federal.

SIMIÃO FERNANDES VILHALVA GUARANI KAIOWÁ, PRESENTE!
No sábado à tarde do dia 29 de agosto de 2015, latifundiários e políticos ruralistas locais reunidos, em seu sindicato, decidiram pelo uso da violência e do terror contra os indígenas para expulsá los de seu território ancestral, retomado. E assassinaram, com três tiros, Simião Fernandes Vilhalva, liderança Guarani Kaiowá de apenas 24 anos, tendo feito outros feridos, inclusive crianças.
Na última quinta, 03 de setembro, a Tekoha Guyra Kamby’i também foi atacada por milícias organizadas por latifundiários, e as ameaças contra diversas comunidades indígenas continua. Dois dias depois, no dia 5, um indígena ainda não identificado, de 54 anos, foi encontrado morto a tiros no banheiro de sua casa na Aldeia Taquari, no município de Coronel Sapucaia. Todas estes acontecimentos aqui citados ocorreram na região indígena de Kurussu Ambá, no Mato Grosso do Sul.

RETROCESSO SOCIAL E A REATUALIZAÇÃO DO HOLOCAUSTO INDÌGENA MODERNO-COLONIAL
Diante das consecutivas denúncias de formação de milícias armadas contra as comunidades indígenas, no entanto, o governo federal continua omisso e cúmplice da classe dos grandes proprietários rurais. Os órgãos responsáveis pela proteção aos direitos das minorias, conforme legislação de direitos humanos constitucional e internacional, como a FUNAI, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Ministério da Justiça, entre outros, mantêm uma relação de cúmplice omissão em relação às violências que vêm sendo praticadas pelos proprietários, diretamente, bem como pelo estado, direta e/ou indiretamente, pela violação institucionalizada de nossos direitos:
Nós, povos indígenas, pessoas e organizações de apoio solidárias subscritos, em nome de nossa ancestralidade, que vem por nós, denunciamos o genocídio, o holocausto, que nossos povos vêm sofrendo desde 1492 e que se reatualiza até os dias atuais. A violência contra a vida das lideranças e comunidades indígenas em todo o país decorre do avanço do capitalismo contra territórios ancestrais e contra a terra-mãe, contra os direitos dos povos historicamente minorizados e vulnerabilizados e contra as classes trabalhadoras, como retrocesso social. E, pelo cerceamento dos direitos civis e políticos e criminalização dos movimentos sociais, esta violência institucionalizada, sistêmica, se revela como estado de exceção!
Além dos assassinatos, a máquina capitalista opera o seu genocídio nos milhares de casos de jovens indígenas suicidados, privados da terra, de seu sustento, subempregados, escravizados, e privados de sua cultura ancestral. Dos mortos por desnutrição, pela falta da devida atenção à saúde, à assistência, e aos direitos fundamentais.
Na série histórica 2003-2014, segundo dados do CIMI, em 2003, 42 indígenas foram assassinados, em 2004, 37, 2005, 43, 2006, 58, em 2007, 92 indígenas foram assassinados, em 2008, 2009, 2010, foram 60 assassinados em cada um destes anos, em 2011, forma 51, em 2012, 60 assassinatos, em 2013, 53 indígenas assassinados, em 2014: 138! Foram, ao todo, desde 203, 754 indígenas assassinados, destes, 390 só no estado do Mato Grosso do Sul.

CONTRA O TERROR DE ESTADO CAPITALISTA DE EXCEÇÃO
Diante deste quadro, gravíssimo, vimos por este Manifesto requerer: 1. A imediata desapropriação e demarcação de todas as terras indígenas, conforme determina a Constituição de 1988; 2. A realização das devidas investigações quanto a este e aos demais assassinatos ocorridos recentemente contra indígenas em situação de conflitos territoriais, com o acompanhamento de associações indígenas e organizações de direitos humanos da sociedade civil indicadas pelos indígenas; 3. Intervenção no referido sindicato ruralista-latifundiário, do caso citado acima (conforme noticiado pela imprensa e denunciado pela Aty Guaçu – Assembléia Guarani Kaiowá) por graves indícios e suspeita de crimes contra a vida e de organização criminosa, terrorismo, incitação ao crime, entre outros contidos no fato.

O DIREITO À TERRA COMO DIREITO À VIDA E À DIGNIDADE
Compreendemos que o direito à vida e à dignidade, que no caso de povos indígenas, autóctones, está diretamente associado ao direito à terra, deve ser de cumprimento e garantia imediatos, inclusive por se tratarem de povos historicamente minorizados; Que o acesso à terra indígena por seus povos originários deve preceder qualquer tipo de processo de direito privado; E que, conforme o Estatuto do Índio, a utilização das forças armadas só pode ocorrer estritamente para a defesa destes povos.
E, neste sentido, do que requeremos e compreendemos acima, que convocamos a todas as autoridades responsáveis, seja como parte do corpo técnico do estado, seja como parte da classe jurídico-política, a se fazerem de fato responsáveis e presentes diante do conflito, em defesa dos povos e grupos sociais historicamente minorizados e nesta situação, atual, de forte ameaça das classes proprietárias rurais capitalistas, de forma prioritária.
Convocamos a sociedade para cerrar fileiras com estas comunidades e povos indígenas contra toda forma de violência, arbítrio,violação de seus direitos, e pelo reconhecimento de seus territórios e de seus direitos à autodeterminação, autodemarcação e retomada de seus territórios, como lugar de vida, como lugar de (re)existência.

Ñande Ru Marangatu, Rexiste!
Marçal Tupã, presente!
Marinalva Manoel, presente!
Simião Fernandes Vilhalva, presente!
Somos todxs Guarani Kaiowá!

Somos todxs Guarani Kaiowá Nhandeva Mbya Terena Munduruku Tupinambá Manauá Tenetehara

Somos todxs Indígenas na resistência, na luta indígena!

Opine, compartilhe, entre em contato, assine, divulgue, participe desta luta!

Jovens Munduruku se reúnem para discutir estratégia de comunicação

Hoje, 12 de setembro, na Aldeia Praia do Mangue, localizada em Itaituba-PA, jovens se reuniram para discutir estratégia de atuação em conjunto. Estavam reunidos jovens da oficina de rádio comunitária da Praia do Mangue e as jovens da oficina de áudio visual da aldeia Sawré Muybu.

Conversamos sobre como os impactos da hidrelétrica do Tapajós vai afetar nossas vidas e como nos organizar para defender nosso território. No encontro o professor de Língua Munduruku, Alexandre, comentou ”o impacto que a aldeia vai sofrer depois de  fazer a hidrelétrica do Tapajós, mas para isso não acontecer, nós Munduruku, temos que preparar para lutar contra o projeto do governo”.

Lucineide Saw Munduruku, filha do cacique Juarez, da aldeia Sawré Muybu, que está participando da autodemarcação, disse ”nós vamos usar a câmera como uma arma”.

A assembléia do povo Munduruku do médio Tapajós será realizada entre o dia 22 a 25 de setembro,na aldeia Dace Watpu, estarão presentes várias lideranças do alto Tapajós e convidados.

Pela primeira vez, nós jovens Munduruku, se unimos  para fazer a cobertura da assembléia para informa as pessoas que não estão sabendo, através da comunicação e mostrar o mundo inteiro que juntos unimos forças para lutar pelo nosso direito, pela nossa liberdade de viver em paz em nossas terras.

Para saber mais informações sobre a luta do povo Munduruku, contra barragem, fiquem ligados no blog!!!!!!

Lançamento!

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“Na Rota dos Arqueólogos da Amazônia”, de Solange Bastos, será lançado em outubro, no Congresso da SAB, em Goiânia. O livro fala sobre Trabalho dos arqueólogos na Amazônia, 13 mil anos de selva habitada, arqueologia como história indígena de longa duração e exploradores do século XXI. Com documentário anexo de Miguel Castro, sobre a resistência no Tapajós e autodemarcação das terras Munduruku. Curta a fanpage do livro para ficar informado sobre o lançamento em outras cidades http://migre.me/rkzbd.

Povo Munduruku luta para que Belo Monte não volte a se repetir: a autodemarcação continua!

Por Rachel Gepp

No ato de tornar aparente a linha imaginária que delimita seu território, os Munduruku tentam escapar da invisibilidade que está sendo imposta pelo governo demarcando por conta própria seu território.

A autodemarcação da TI Sawre Muybu, que começou em outubro de 2014, continua avançando a trincheira contra as hidrelétricas planejadas na bacia do Tapajós. Uma forma de exigir reconhecimento não apenas de seu território, como de seus direitos, que nesse momento estão sendo atacados pelo atual Congresso que busca esvaziar os direitos dos povos das florestas, como a PEC 215.
Desde setembro de 2013 os Munduruku aguardam a Fundação Nacional do Índio (Funai) publicar o Relatório Circunstanciado que reconhece o vínculo histórico que eles têm com essa terra. Para todo o povo Munduruku, Daje Kapap Eipi, é uma terra sagrada que lhes foi dada pelo Deus Karosakaybu, criador dos animais e do rio Tapajós. Para o governo, um entrave na sua política desenvolvimentista de destruição e morte.
O relatório está parado em Brasília por impedimento de arranjo interno do governo, como já declarou a ex-presidente interina da Funai Maria Augusta Assirati. Se a Funai publicar pode inviabilizar a usina de São Luiz do Tapajós porque o alagamento previsto incide em grande parte da terra indígena Sawre Muybu (território Daje Kapap eipi). Como a remoção de indígenas é proibida pelo artigo 231 da Constituição, o governo não demarca para alegar que a TI nunca foi reconhecida oficialmente.
A Justiça Federal de Itaituba, a pedido do Ministério Público Federal, está multando a Funai por descumprir a ordem de seguir a demarcação da TI Sawre Muybu. Desde 6 de agosto de 2015 a Funai está intimada a pagar multa de R$3 mil por dia por não cumprira sentença judicial de que a demarcação deve prosseguir. Para a Justiça, a Funai alega que não há disponibilidade orçamentária para demarcações na região amazônica.
Enquanto o governo finge que Sawre Muybu não existe, é conveniente permitir que grupos madeireiros, palmiteiros e garimpeiros sigam ameaçando os índios e explorando ilegalmente o território sem nenhuma fiscalização. Durante a autodemarcação os Munduruku relatam a destruição que estão encontrando.
Cansados de esperar, como forma de pressionar a Funai, no encerramento da 1ª Conferência Regional de Política Indigenista, que aconteceu em Santarém entre os dias 15 e 17 de agosto, o Movimento Indígena do Baixo Tapajós com apoio dos Munduruku do médio e Movimento Ipereg Ayu do alto Tapajós, impediram que dois servidores de Brasília e uma representante do Ministério da Justiça que participavam do evento fossem embora. Os três permaneceram no Centro Indígena Maíra, mas por motivos de saúde a representante da Justiça foi liberada.
Por telefone os indígenas negociaram com João Pedro Gonçalves da Costa, novo presidente da Funai, amazonense, aliado com as políticas do PAC. As exigências para liberar os servidores dependia da publicação dos relatórios da TI Sawre Muybu e da TI Cobra Grande, construída de três povos: Arapiun, Tapajo e Jaraki, eles também exigiram uma audiência com o atual presidente, para cobrar que a Funai cumpra seu compromisso institucional com os povos indígenas e atue com autonomia pelos interesses originários do orgão público.
João Pedro garantiu a ida de 25 delegados à Brasília, num prazo de 10 dias, mas não firmou resposta sobre a publicação dos relatórios circunstanciados das terras indígenas alegando estar no cargo a pouco mais de 60 dias e ainda se inteirando das disputas territoriais apresentadas pelos indígenas.
Podemos compreender esse jogo político como uma forma de extermínio. Com Belo Monte o governo nos mostra até onde é capaz de ir, desrespeitando leis e suspendendo direitos, em nome do lucro da parceria público e privado. Nos prova que é capaz de promover catástrofes irreversíveis aos povos indígenas e ao meio ambiente em nome do “desenvolvimento”.
Assista o vídeo da segunda etapa da autodemarcação do território Munduruku. Por instinto de sobrevivência, a luta continua!

Movimento Indígena pressiona FUNAI para demarcar TI no Tapajós

Por Rachel Gepp

Movimento Índigena do Baixo e médio Tapajós tem semana intensa de reivindicao indigena em favor de seus direitos e pressionam a Funai, mantendo dois servidores  em centro indigenista em Santarém, Oeste do Pará até que suas reinvidicações sejam discutidas.

O Movimento Indigena do Baixo rio Tapajós que depois de cinco  longos dias de mobilização, que começaram na manhã de quinta-feira (13) com a ocupação da sede do ICMBio em Santarém, protestavam contra o projeto de venda de carbono na área,  que afetaria as aldeias indígenas da reserva extrativista- RESEX Tapajós-Arapiuns.  Conseguiram, após intensas negociações, a suspensão do Projeto Demonstrativo de Carbono.

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Porém há ainda uma extensa lista de reivindicações, como a finalização das demarcações das Terras Índigena Sawre Muybu- do povo Munduruku e Terra Índigena Cobra Grande que é construída de três povos: Arapiun, Tapajo e Jaraki. Desde ontem (15), no encerramento da 1ª Conferência Regional Indigenista, de forma pacífica e garantido a segunça e integridade física, o Movimento Indígena do Baixo Tapajós, com apoio dos Munduruku do médio Tapajós, mantém dois servidores da FUNAI no Centro Indígena Maíra em Santarém, até que a pauta de reinvidicações seja atendida.

Nesse momento os indígenas negociam por Telefone com João Pedro Gonçalves da Costa, presidente da Fundação Nacional do Índio, a FUNAI, a Mobilizaçao indigena continua.