Em carta à FUNAI, Mundurukus afirmam seu repúdio

No dia 11 de junho de 2017, o povo Munduruku reunido na aldeia Sawre Muybu, no médio Tapajós, escreveram uma  carta à Fundação Nacional do Índio – FUNAI manifestando seu repúdio ao retorno do servidor Raulien Queiroz de Oliveira à Coordenação Regional do Tapajós.

Os indígenas, entre outras denúncias, afirmam que Raulien nos seus dois mandatos como prefeito do município de Jacareacanga, território onde se concentra a maior parte das aldeias da etnia Munduruku, repetiu várias irregularidades a este povo, como a demissão arbitrária de 70 professores indígenas, em 2014. O servidor também foi presidente do Consórcio Tapajós, interessado na construção de hidrelétricas que alagariam Terras Indígenas e trariam impactos socioambientais irreversíveis às comunidades indígenas e ribeirinhas da região.

Leia a Carta na integra!

À PRESIDÊNCIA DA FUNAI
c.c: Ministério Público Federal

Nós, povo Munduruku, em reunião na aldeia Sawre Muybu, no dia 11 de junho de 2017, manifestamos nosso total repúdio ao retorno do servidor Raulien Queiroz de Oliveira à Coordenação Regional do Tapajós.
O servidor sempre maltratou os indígenas e durante os oito anos de mandato (2009-2016) como prefeito de Jacareacanga, sempre discriminou os Munduruku e ainda foi presidente do Consórcio Tapajós, interessado na construção de hidrelétricas que alagariam Terras Indígenas e trariam impactos socioambientais irreversíveis às comunidades indígenas e ribeirinhas da região.
Durante sua gestão, adotou diversas medidas políticas e administrativas anti-indígenas, como a exoneração arbitrária de 70 professores indígenas, em março de 2014, decisão revertida na Justiça, por meio de ação do Ministério Público Federal. Usou ainda violência física e moral contra o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, chegando ao absurdo de coordenar um ato em que funcionários e servidores de sua gestão lançaram rojões contra os indígenas para reprimir suas manifestações em defesa de seus direitos.
Houve também interferência direta na organização social do povo Munduruku, quando inseriu na Associação Pusuru indígenas Munduruku ligados à sua gestão, favoráveis aos interesses da Prefeitura e contrários ao movimento de resistência.
É inaceitável que alguém com essa postura continue a trabalhar com o povo o munduruku ou com qualquer povo indígena. Sua atuação, seja como servidor da FUNAI, seja como prefeito, é incompatível com a missão do órgão indigenista de proteger os direitos dos povos indígenas.
Não aceitamos a presença do servidor supracitado na CR Tapajós, exigimos sua imediata exoneração pela presidência da FUNAI e a reestruturação da CR para que não haja prejuízo na realização das atividades fim da entidade. Caso não sejamos atendidos, resolveremos a situação de nossas próprias formas, com o devido acompanhamento do MPF.

DocumentocontraoRaulienQueiroz

parir                                                      mdk

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