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DA AMAZÔNIA DOS ÚLTIMOS 13 MIL ANOS AOS MUNDURUKU

Todo mundo quer saber de Amazônia. Há dados imensos para todas as pautas e áreas de pesquisa, tanta informação e tanto desconhecimento. Nossa floresta nacional, brasileira como nós, com brasileiros como nós dentro dela, há séculos não é uma mata intocada, nem mesmo (ou “muito menos”) nos seus primórdios. Os dados de pesquisas arqueológicas dos últimos cinquenta anos compilam denso passado ainda vivo, desde a mínima constatação de como viviam nossos ancestrais aos costumes, ainda hoje como lá atrás, presentes no cotidiano das populações ribeirinhas e dos povos indígenas, os mesmos que travam resistência contra a política energética extrativista do governo federal. Assustador pensar que possamos estar testemunhando os sítios arqueológicos de amanhã.

A pergunta que nos vem à mente, quando confrontamos passado e presente numa mesma fração de segundo: o que os arqueólogos, desbravadores do século XXI, encontrarão num futuro próximo entre os escombros? São muitos os sítios, assim como os fenomenais geoglifos no Acre, descoberta feita por arqueólogos brasileiros, cortados por rodovias; cavernas com pinturas rupestres implodidas à dinamite de mineradora; desenhos em pedra naufragados por usinas hidrelétricas. Paradoxalmente são muitas as pesquisas que vêm acontecendo a reboque dessa mesma economia que, por força de lei e não por gosto, acaba mantendo levas de pesquisadores em plena floresta. A mesma economia e seu modelo de “desenvolvimento” que nos entrega o colapso de Altamira (PA) e ameaça os Munduruku e suas terras, no Tapajós.

O Xingu está morrendo, a Amazônia vive uma espécie de morte, e um tanto desse documento, do que resiste e está vivo, não só na luta que se trava na região, “arco e flecha” contra “Força Nacional”, está em “Na Rota dos Arqueólogos da Amazônia – 13 mil anos de selva habitada”, livro-reportagem da jornalista Solange Bastos, que vem com o documentário “Mundurukânia, na beira da história”, do diretor Miguel Viveiros de Castro.  A pesquisa é primorosa, os dados são impressionantes e o conceito é inédito: em um único projeto, os arqueólogos e suas pesquisas com suposições e respostas sobre nossos antepassados e sobre a maior floresta do mundo. No documentário, os sítios sendo escavados e o acompanhamento inédito da autodemarcação das terras pelos Munduruku.

Orgulhosamente, o Coletivo Carranca é citado no livro, mais de uma vez, como referência de conteúdo. As matérias citadas em Box e notas de rodapé denunciam o retrocesso na política ambiental e cultural impetrado pelo governo brasileiro, as ameaças sobre nosso patrimônio material e imaterial, a tragédia de Belo Monte e no Tapajós e a luta de ribeirinhos e dos Munduruku. A série foi produzida pelos Carrancas Rachel Gepp, Rui Massato Harayama e Raquel Boechat — que também assina um dos capítulos anexos sobre a Política, a Arqueologia e o Direito.

Hoje, 30/09, dia em que nosso Coletivo comemora dois anos de sua primeira transmissão ao vivo (de uma das mais violentas manifestações dos professores do Rio de Janeiro), estar no primeiro dia de lançamento desse projeto, produzido por ativistas em essência, além de uma honra é uma bela maneira de comemorarmos a materialização de nosso “midiativismo” nas entranhas da academia e da micropolítica nacional.

Em próxima edição especial, entrevista exclusiva com Miguel Viveiros de Castro e Solange Bastos.

A caravana de lançamento que começa hoje!

– 30/09: Goiânia, às 16h – Auditório do Museu Antropológico da UFG – Praça Universitária no. 1166 ao lado da Área II da PUC-Goiás.

– 03/10: Brasília, às 19 h – Balaio Café – CLN 201, bloco B, loja 19/31, Asa Norte.

– 13/10: Rio de Janeiro, às 18 h – Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Av. Marechal Câmara, 150, Centro, com a presença do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

– 15/10: São Paulo, às 19h – na Sala Petrobras da Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino.

– 04/11: Belém, às 18h – Espaço Casulo Cultural – Travessa Frutuoso Guimarães, 562 – Campina.

Haverá lançamentos também em Teresópolis, Santarém, Alter do Chão, Itaituba e na aldeia Munduruku Sawré Muybu, entre 22 3 31/10.

Fonte: Coletivo Carranca

O povo do Tapajós se encontra para falar sobre impacto da mineração

Foto Rilliete Akay Munduruku

Foi ocorrido em Santarém, no Pará, nos dias 17 e 18 de setembro, o Seminário Mineração no Tapajós. Estava presente as comunidades de Oriximiná, Juriti Velho, Munduruku do médio e do alto e Santarém para discutir como defender nosso território contra os grandes inimigos empreendedores que estão ao nosso redor, tentando intimidar nós.

Esse encontro foi para falar sobre o impacto que vai acontecer na nossa região, os parceiro que estão realizando foi o Ibase e com apoio do Movimento Tapajós Vivo, Fase, Pastoral Social, Faor e UFOPA.

Para falar do que está acontecendo em nossa volta estavam os povos indígenas, os ribeirinhos e os quilombolas. Osvaldo Lima Silveira, do assentamento Grama Lago Grande, no município de Santarém, respondeu a proposta da representante do Ministério Público, de legalizar o garimpo. Ele falou “Fiquei muito triste quando a doutora do Ministério Público Federal, disse que a Alcoa é excelente. Ela não é ribeirinha, ela não pesca, não vive da caça, não junta castanha para tirar o sustento da família. Ela estudou nas melhores universidades e não é por acaso que ela ocupa esse cargo. Agora pra nós, que a universidade ainda tá longe de nós, a gente tá produzindo farinha, juntando castanha, tirando seringa, pescando pra dar o sustento da família, para a gente que tá dentro dos impactos não é fácil. Ela não come as mesmas coisas ruim que a gente come, ela não convive com esse clima, ela não tá ouvindo o barulho de máquina, ela não tá vendo as castanheiras no chão. O impacto é muito grande. A gente não tem faculdade, mas a gente quer viver. E viver bem. E comendo bem. E morando no que é nosso, sem ser expulso do nosso território.”

Maria Leusa, liderança do povo Munduruku, fala pra gente manter a força para defender a nossa floresta. “A gente sabe que está ameaçados. Hoje em dia a gente não espera mais do governo para proteger nosso território. Nós mesmos temos que agir para a nossa segurança, das nossas futuras gerações, assim que aprendemos a lutar. Escutar essas histórias isso dói, isso corre sangue e na veia de cada um de nós. Somos o povo do Tapajós, a partir daqui apenas só muda a etnia, a cor, somos lutadores pelo nosso território. O direito não se negocia, nós temos o direito de reagir, o direito de defender o que é nosso. A gente não tá pedindo o que é dos outros. Daqui a gente sai gritando, reagindo, mostrando a nossa luta, mesmo que a gente esteja sofrendo ameaça. Os povos indígenas no Brasil estão morrendo, em pouco dias mataram nosso parente Guarani, isso dói quando a gente vê.”

Então é por isso que tem que acabar com esse garimpo, uma coisa que está prejudicando o nosso rio, a nossa convivência com a floresta. A gente não quer ver a poluição que está acontecendo no nosso território onde a gente vive.

Jovens Munduruku se reúnem para discutir estratégia de comunicação

Hoje, 12 de setembro, na Aldeia Praia do Mangue, localizada em Itaituba-PA, jovens se reuniram para discutir estratégia de atuação em conjunto. Estavam reunidos jovens da oficina de rádio comunitária da Praia do Mangue e as jovens da oficina de áudio visual da aldeia Sawré Muybu.

Conversamos sobre como os impactos da hidrelétrica do Tapajós vai afetar nossas vidas e como nos organizar para defender nosso território. No encontro o professor de Língua Munduruku, Alexandre, comentou ”o impacto que a aldeia vai sofrer depois de  fazer a hidrelétrica do Tapajós, mas para isso não acontecer, nós Munduruku, temos que preparar para lutar contra o projeto do governo”.

Lucineide Saw Munduruku, filha do cacique Juarez, da aldeia Sawré Muybu, que está participando da autodemarcação, disse ”nós vamos usar a câmera como uma arma”.

A assembléia do povo Munduruku do médio Tapajós será realizada entre o dia 22 a 25 de setembro,na aldeia Dace Watpu, estarão presentes várias lideranças do alto Tapajós e convidados.

Pela primeira vez, nós jovens Munduruku, se unimos  para fazer a cobertura da assembléia para informa as pessoas que não estão sabendo, através da comunicação e mostrar o mundo inteiro que juntos unimos forças para lutar pelo nosso direito, pela nossa liberdade de viver em paz em nossas terras.

Para saber mais informações sobre a luta do povo Munduruku, contra barragem, fiquem ligados no blog!!!!!!

Lançamento!

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“Na Rota dos Arqueólogos da Amazônia”, de Solange Bastos, será lançado em outubro, no Congresso da SAB, em Goiânia. O livro fala sobre Trabalho dos arqueólogos na Amazônia, 13 mil anos de selva habitada, arqueologia como história indígena de longa duração e exploradores do século XXI. Com documentário anexo de Miguel Castro, sobre a resistência no Tapajós e autodemarcação das terras Munduruku. Curta a fanpage do livro para ficar informado sobre o lançamento em outras cidades http://migre.me/rkzbd.

Documentário mostra resistência índígena à hidrelétricas no Tapajós

publicado em 18 de novembro, 23:55. Originalmente em:

Indio é Nois

“Indios Munduruku: Tecendo a Resistência” é lançado nesta semana no Brasil e na Inglaterra. Etnia luta contra construção de usinas na bacia do rio, no Pará, e ainda não tem terras demarcadas.
No oeste do Pará, índios da etnia munduruku tecem cestos e entrelaçam resistência contra a construção de hidrelétricas ao longo do rio Tapajós. “O povo munduruku é muito guerreiro. Luta por justiça de uma maneira muito nobre, tentando dialogar. Está tecendo uma resistência e enfrentando a situação de forma pacífica”, diz a documentarista Nayana Fernandez.

A brasileira de 33 anos percorreu aldeias da tribo indígena ao longo do rio Cururu, afluente do Tapajós, para registrar a luta dos munduruku contra um complexo hidrelétrico. O projeto prevê a construção de mais de 20 barragens na bacia do Tapajós, com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O resultado das filmagens é o documentário Índios Munduruku: Tecendo a Resistência, lançado nesta semana no Brasil e na Inglaterra, simultaneamente. A produção independente contou com o apoio de organizações britânicas e de lideranças da etnia munduruku.

“Por que tirar o que nos resta? Todo esse Brasil era da população indígena”, questiona um dos entrevistados. “A gente costuma dizer que esse é um projeto de morte”, diz outra indígena.

Nayana conheceu os índios munduruku em setembro de 2013, quando acompanhou uma jornalista inglesa ao norte do país para identificar focos de resistência contra grandes obras federais.

Sensibilizada com a tradição da tribo indígena, Nayana voltou à bacia do Tapajós em fevereiro deste ano com a ideia do documentário. “A construção das usinas vai mudar quem eles são e industrializar um ambiente indígena tradicional”, diz.

A documentarista se lembra da filmagem de uma audiência pública sobre o projeto, que contou com a vigilância de homens do Exército. “Foi uma situação muito tensa. A audiência foi inteiramente em português e as perguntas deveriam ser feitas por escrito. A maior parte dos munduruku não sabe escrever. É um povo de cultura oral”, conta Nayana.

Para “conseguir as imagens mais doces, do tecer e das crianças”, ela teve que se aproximar lentamente para ganhar a confiança dos índios munduruku. “Existe uma preocupação com o tipo de material que será feito. Historicamente, muita gente filma e depois some, ganha dinheiro com a imagem dos índios sem trazer nenhum resultado.”

Autodemarcação

Em setembro, índios munduruku iniciaram a autodemarcação da terra indígena Sawré Muybu, entre os municípios de Itaituba e Trairão, no oeste do Pará, a poucos quilômetros da área prevista para a construção da usina de São Luiz do Tapajós. Eles cercam o território ocupado historicamente pela etnia de forma independente.

Uma carta divulgada pela tribo nesta segunda-feira (17/11) aponta que as tentativas de demarcação foram frustradas após uma série de negativas da Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Nesses 30 dias da autodemarcação, já caminhamos cerca de 7 quilômetros e fizemos 2,5 quilômetros de picadas. Encontramos 11 madeireiros, três caminhões, quatro motos, um trator e inúmeras toras de madeira de lei às margens dos ramais em nossas terras”, diz a carta.

A equipe de produção do documentário, associações locais e o movimento Munduruku Ipereg Ayu pretendem criar uma campanha de financiamento coletivo para fortalecer as ações da etnia indígena, com a criação de uma associação e o apoio à autodemarcação das terras.

O documentário Índios Munduruku: Tecendo a Resistência está disponível na internet em português e inglês.

Fonte: O Povo

TRF aceita alegações da Funai e suspende decisão que mandava demarcar a Terra Indígena Sawré Muybu, dos Munduruku

Por , 12/11/2014 21:33

Os Munduruku acendem fogueira no local de uma mina ilegal de ouro que foi encontrada durante a busca perto do rio das Tropas, um dos principais afluentes dos rios Tapajós e Amazonas. Foto: Lunae Parracho, Reuters

Tania Pacheco* – Combate Racismo Ambiental

O desembargador federal Kássio Nunes Marques, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região,  aceitou as alegações da Funai de que está cumprindo seu Plano Plurianual 2012-2015, demarcando Terras Indígenas nas regiões Centro-Sul, Sudeste e Nordeste (resta saber em qual país) e suspendeu liminar concedida pela Justiça Federal no Pará, favorável aos Munduruku da Terra Indígena Sawré Muybu.

O juiz Rafael Leite Paulo havia acatado as ponderações do Ministério Público Federal e dado prazo de 15 dias para que a direção da Funai aprovasse ou não o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da T.I., que descansa na mesa de sua presidência desde setembro de 2013. Caso aprovado, a Funai teria outros 15 dias para publicá-lo no Diário Oficial da União e do Pará, com o respectivo memorial descritivo e mapa da área.

O desembargador Kássio Nunes Marques entendeu, entretanto, que, embora o processo de demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu tenha começado em 2001 e esteja pronto para aprovação há mais de um ano [repito], não há “manifesto propósito protelatório ou infundada omissão atribuíveis à FUNAI”. Para ele, a procrastinação é explicável considerando-se a “inegável complexidade da questão”. E ele esclarece sua posição:

“… se os problemas de conflitos narrados na peça vestibular são decorrentes da incerteza provocada pela inexistência da demarcação, por outro lado, a indicação da delimitação, de forma açodada, sem que carreada da estrutura necessária para a garantia imediata destes limites, o que exige orçamento para pagamento de indenizações, desapropriação para assentamos e uma série de providências que seriam exigidas imediatamente após a divulgação da delimitação, pode provocar maiores conflitos na região”.

Veja a decisão completa do Juiz em: http://racismoambiental.net.br/2014/11/trf-aceita-alegacoes-da-funai-e-suspende-decisao-que-mandava-demarcar-a-terra-indigena-sawre-muybu-dos-munduruku/