Arquivo da categoria: Sem categoria

Somos feitos do Sagrado!

Esse local é sagrado porque aqui quando o mundo estava se formando Karosakaybu fez Karubixexe, Dekoká’a e Dajekapat.

Nós pajés vemos e ouvimos nossos antepassados se manifestando e cobrando de nós porque suas moradas não existem mais. As urnas devem ser devolvidas e não ficar com os pariwat. Nós vamos escolher um novo lugar para elas.

Nós Munduruku somos feitos do sagrado e vivemos do sagrado e nós pajés ajudamos o povo a seguir no seu caminho. Não temos problemas com os evangélicos ou com os pains sabemos que eles também conhecem o sagrado, respeitamos isso, eles também ajudam, mas não sabem o caminho certo, por isso nós trouxemos nosso povo aqui. Para verem de perto o mal que existe aonde antes era lugar de proteção e saúde.

Os pariwat também tem seus lugares sagrados e seus objetos sagrados, os livros, as bíblias com o que eles andam, antes de serem sagrados já foram outras coisas. O papel desses livros se não tiver verdades, não será sagrado.

É desse jeito que vemos nossas Karubixexe, Dekoká’a e Dajekapat e outros locais que nem são conhecidos dos pariwat. Precisamos trazer o equilíbrio das coisas vivas e dos espíritos no rio idixidi, que essas hidrelétricas destruíram.

Vimos as urnas e vamos lutar para que elas sejam mantidas seguras, elas não são para ficar no vidro como atração, vão voltar para os seus locais.A usina Teles Pires destruiu nosso local sagrado Karubixexe e tem que  pagar. A usina São Manuel destruiu Dekoka’a. Exigimos que seja feito um estudo antropológico sobre a destruição de Karubixexe e Dekoka’a. O estudo tem que ser financiado pelas usinas, nós povo Munduruku vamos escolher e indicar o antropólogo responsável pelo estudo. Este estudo é diferente do EIA/RIMA e do Estudo da Componente Indígena. Aguardaremos também o pedido de desculpas por terem destruídos nosso local sagrado, deverá ser feito na audiência da aldeia Missão Cururu, como apresentado na carta de reivindicação entregue na reunião do dia 19 de julho de 2017, no canteiro de obras da São Manoel.

A usina São Manoel destruiu nosso local sagrado Dekoka’a onde está a mãe dos animais. A Hidrelétrica Teles Pires destruiu a casa sagrada, Karubixexe, agora nós pajés vamos ter de encontrar um lugar aqui mesmo para devovlvermos as urnas e pedir desculpas aos espíritos por ter invadido a terra. Nós pajés confirmamos que foram roubados vários materiais sagrados e que ainda tem mais materiais no local onde foi destruído Karubixexe. Nós pajés fizemos um compromisso com os espíritos de fazer visita no nosso local sagrado, Karubixexe, que foi destruído na construção da usina Teles Pires. Como Karubixexe, a cada dois meses, para sempre. Nós temos que oferecer as bebidas tradicionais. Na nossa segunda visita iremos escolher o local onde será depositado as urnas. As usinas tem que pagar todas as nossas visitas ao nosso local sagrado.

No segundo encontro das mulheres, na aldeia Santa Cruz, em maio de 2017, as mulheres Munduruku decidiram fazer a visita às urnas, aguardamos por tanto tempo sem mostrar para ninguém, mas agora, a violação veio à público, todas sabem o que a usina Teles Pires e São Manoel fizeram, destruindo nossas locais sagrados. Na nossa visita às urnas, os espíritos, que estão vivos, ficaram felizes com a nossa visita, eles estavam chorando e com fome, e nós oferecemos as bebidas para eles e sentimos a presença deles, todos se reuniram para nos receber. Muitos espíritos estavam na nossa visita, o local onde eles nos receberam não era grande o bastante, por isso, durante a cerimônia, a parede rachou. A usina tem que tirar uma foto da rachadura e mandar para o Movimento Iperegayu.

Nós Munduruku estamos voltando para nossas aldeias, com a proteção dos espíritos dos nossos ancestrais, fomos ouvidos pela FUNAI e as empresas assumiram o compromisso com a nossa pauta. Vamos continuar nosso movimento. A FUNAI e a empresa podem esperar que se não cumprirem o compromisso firmado, voltaremos.

 

Sawe!!

Por que nós munduruku estamos aqui?

mdk

Por que nós munduruku estamos aqui?

Nos dias 08 a 10 de maio de 2017 nós mulheres, pajés, caciques e lideranças estivemos junto com nossas crianças, reunidos na aldeia Santa Cruz realizando nosso II encontro de mulheres Aya Cayu waydip pe. Nesse encontro discutimos muitos problemas. A maioria desses problemas pioraram com a construção da Hidrelétrica do Teles Pires e de São Manuel.
Nossos locais sagrados Parabixexe e Dekuka’a foram violados e destruídos e nosso protocolo de Consulta foi desrespeitado. Depois de ouvirmos as mulheres foi decidido que estaríamos aqui por dois motivos.
O Primeiro é devolver as urnas roubadas pela hidrelétrica para a terra e que nenhum pariwat tenha acesso a ela. Essa devolução das urnas tem de ser acompanhada pelos pajés e com um pedido de desculpas da hidrelétrica por ter desrespeitado nossos locais sagrados.
Segundo que a hidrelétrica respeite nossos direitos e crie um Fundo com recursos para serem aplicados por nós munduruku:

  • em nossas escolas e na nossa educação,
  • nas nossas roças,
  • na proteção e vigilância das nossas terras,
  • no apoio aos nossos outros parentes e sem interferência das hidrelétricas,
  • na proteção dos nossos locais sagrados
  • na preservação do nosso conhecimento e da nossa história

Sawe!

Por que nós munduruku estamos aqui

Reunidos em Assembleia, Munduruku enviam carta de apoio aos Guarani Kaiowá!

Aldeia Munduruku Dace Watpu, Município de Itaituba, Pará

25 de setembro de 2015

Quando uma comunidade é atacada, todos nós sentimos a violência:
a luta por vida, terra e demarcação é de todos nós.

Nós, povos Munduruku, Munduruku Cara Preta, Arapium, Borari, Kaxuyana, e lideranças das comunidades Pimental, Montanha e Mangabal e membros da sociedade civil, reunidos na XI Assembleia do Médio Tapajós desde 22 de setembro, expressamos o nosso repúdio aos ataques sofridos pelos parentes Kaiowá e Guarani, em Mato Grosso do Sul. No último mês, a cada três dias uma comunidade sofreu um ataque armado. Em um desses ataques o parente Semião Vilhalva foi assassinado – com um tiro na cabeça enquanto bebia água em um rio.

Consideramos inaceitável a violência sistemática à qual os parentes de Mato Grosso do Sul estão submetidos: perseguição, criminalização e assassinato de lideranças, esbulho de terras tradicionais, envenenamento de terras e rios e outros tantos crimes. Com isso é gerada uma situação de insegurança e vulnerabilidade tão grandes, que a população Kaiowá registrou os maiores níveis de suicídio do Brasil nos últimos anos.

A luta dos Kaiowá e Guarani e a dos povos da Amazônia são a mesma. Povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas defendem o direito a vida, à autodeterminação e o reconhecimento de seu território. Hoje e sempre, exigimos respeito aos direitos. E não aceitamos mais nenhuma morte.

Terminamos aqui a nossa assembleia com dor ao pensar nos parentes Guarani Kaiowá que sofreram e ainda sofrem com os últimos ataques paramilitares (como continuamos sofrendo com a morte do jovem guerreiro Munduruku Adenilson Kirixi) e exigimos justiça:

CHEGA DE MILÍCIAS ARMADAS!
CHEGA DE ÓDIO CONTRA AS POPULAÇÕES INDÍGENAS!

VIVA ADENILSON KIRIXI! VIVA SEMIÃO VILHALVA!

VIVA OS TERRITÓRIOS SAGRADOS E OS RIOS LIVRES DE BARRAGENS!

SAWEEE!!!documento-pag1

Manifesto pelo Direito de Autodeterminação, Autodemarcação e Retomadas das Terras Indígenas

Manifesto em Solidariedade e Apoio às Resistências e Retomadas Guarani Kaiowá Nhandeva e Terena na Região Centro-Oeste e Indígenas em todo o Brasil

Em repúdio à violência assassina do latifúndio em cumplicidade com o estado brasileiro

Pelo Direito de Autodeterminação, Autodemarcação e Retomadas das Terras Indígenas

A situação é de extrema tensão e violências no estado do Mato Grosso do Sul contra o povo Guarani Kaiowá e vem se agravando com a propaganda do ódio racial anti-indígena e os ataques de jagunços e milícias armados a mando de organizações criminosas de ruralistas, especificamente na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, já homologada pelo Decreto Presidencial de 28/03/2005. Mas, a homologação está, desde então, suspensa, por decisão em favor do latifúndio do Superior Tribunal Federal.

SIMIÃO FERNANDES VILHALVA GUARANI KAIOWÁ, PRESENTE!
No sábado à tarde do dia 29 de agosto de 2015, latifundiários e políticos ruralistas locais reunidos, em seu sindicato, decidiram pelo uso da violência e do terror contra os indígenas para expulsá los de seu território ancestral, retomado. E assassinaram, com três tiros, Simião Fernandes Vilhalva, liderança Guarani Kaiowá de apenas 24 anos, tendo feito outros feridos, inclusive crianças.
Na última quinta, 03 de setembro, a Tekoha Guyra Kamby’i também foi atacada por milícias organizadas por latifundiários, e as ameaças contra diversas comunidades indígenas continua. Dois dias depois, no dia 5, um indígena ainda não identificado, de 54 anos, foi encontrado morto a tiros no banheiro de sua casa na Aldeia Taquari, no município de Coronel Sapucaia. Todas estes acontecimentos aqui citados ocorreram na região indígena de Kurussu Ambá, no Mato Grosso do Sul.

RETROCESSO SOCIAL E A REATUALIZAÇÃO DO HOLOCAUSTO INDÌGENA MODERNO-COLONIAL
Diante das consecutivas denúncias de formação de milícias armadas contra as comunidades indígenas, no entanto, o governo federal continua omisso e cúmplice da classe dos grandes proprietários rurais. Os órgãos responsáveis pela proteção aos direitos das minorias, conforme legislação de direitos humanos constitucional e internacional, como a FUNAI, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Ministério da Justiça, entre outros, mantêm uma relação de cúmplice omissão em relação às violências que vêm sendo praticadas pelos proprietários, diretamente, bem como pelo estado, direta e/ou indiretamente, pela violação institucionalizada de nossos direitos:
Nós, povos indígenas, pessoas e organizações de apoio solidárias subscritos, em nome de nossa ancestralidade, que vem por nós, denunciamos o genocídio, o holocausto, que nossos povos vêm sofrendo desde 1492 e que se reatualiza até os dias atuais. A violência contra a vida das lideranças e comunidades indígenas em todo o país decorre do avanço do capitalismo contra territórios ancestrais e contra a terra-mãe, contra os direitos dos povos historicamente minorizados e vulnerabilizados e contra as classes trabalhadoras, como retrocesso social. E, pelo cerceamento dos direitos civis e políticos e criminalização dos movimentos sociais, esta violência institucionalizada, sistêmica, se revela como estado de exceção!
Além dos assassinatos, a máquina capitalista opera o seu genocídio nos milhares de casos de jovens indígenas suicidados, privados da terra, de seu sustento, subempregados, escravizados, e privados de sua cultura ancestral. Dos mortos por desnutrição, pela falta da devida atenção à saúde, à assistência, e aos direitos fundamentais.
Na série histórica 2003-2014, segundo dados do CIMI, em 2003, 42 indígenas foram assassinados, em 2004, 37, 2005, 43, 2006, 58, em 2007, 92 indígenas foram assassinados, em 2008, 2009, 2010, foram 60 assassinados em cada um destes anos, em 2011, forma 51, em 2012, 60 assassinatos, em 2013, 53 indígenas assassinados, em 2014: 138! Foram, ao todo, desde 203, 754 indígenas assassinados, destes, 390 só no estado do Mato Grosso do Sul.

CONTRA O TERROR DE ESTADO CAPITALISTA DE EXCEÇÃO
Diante deste quadro, gravíssimo, vimos por este Manifesto requerer: 1. A imediata desapropriação e demarcação de todas as terras indígenas, conforme determina a Constituição de 1988; 2. A realização das devidas investigações quanto a este e aos demais assassinatos ocorridos recentemente contra indígenas em situação de conflitos territoriais, com o acompanhamento de associações indígenas e organizações de direitos humanos da sociedade civil indicadas pelos indígenas; 3. Intervenção no referido sindicato ruralista-latifundiário, do caso citado acima (conforme noticiado pela imprensa e denunciado pela Aty Guaçu – Assembléia Guarani Kaiowá) por graves indícios e suspeita de crimes contra a vida e de organização criminosa, terrorismo, incitação ao crime, entre outros contidos no fato.

O DIREITO À TERRA COMO DIREITO À VIDA E À DIGNIDADE
Compreendemos que o direito à vida e à dignidade, que no caso de povos indígenas, autóctones, está diretamente associado ao direito à terra, deve ser de cumprimento e garantia imediatos, inclusive por se tratarem de povos historicamente minorizados; Que o acesso à terra indígena por seus povos originários deve preceder qualquer tipo de processo de direito privado; E que, conforme o Estatuto do Índio, a utilização das forças armadas só pode ocorrer estritamente para a defesa destes povos.
E, neste sentido, do que requeremos e compreendemos acima, que convocamos a todas as autoridades responsáveis, seja como parte do corpo técnico do estado, seja como parte da classe jurídico-política, a se fazerem de fato responsáveis e presentes diante do conflito, em defesa dos povos e grupos sociais historicamente minorizados e nesta situação, atual, de forte ameaça das classes proprietárias rurais capitalistas, de forma prioritária.
Convocamos a sociedade para cerrar fileiras com estas comunidades e povos indígenas contra toda forma de violência, arbítrio,violação de seus direitos, e pelo reconhecimento de seus territórios e de seus direitos à autodeterminação, autodemarcação e retomada de seus territórios, como lugar de vida, como lugar de (re)existência.

Ñande Ru Marangatu, Rexiste!
Marçal Tupã, presente!
Marinalva Manoel, presente!
Simião Fernandes Vilhalva, presente!
Somos todxs Guarani Kaiowá!

Somos todxs Guarani Kaiowá Nhandeva Mbya Terena Munduruku Tupinambá Manauá Tenetehara

Somos todxs Indígenas na resistência, na luta indígena!

Opine, compartilhe, entre em contato, assine, divulgue, participe desta luta!

Movimento Indígena pressiona FUNAI para demarcar TI no Tapajós

Por Rachel Gepp

Movimento Índigena do Baixo e médio Tapajós tem semana intensa de reivindicao indigena em favor de seus direitos e pressionam a Funai, mantendo dois servidores  em centro indigenista em Santarém, Oeste do Pará até que suas reinvidicações sejam discutidas.

O Movimento Indigena do Baixo rio Tapajós que depois de cinco  longos dias de mobilização, que começaram na manhã de quinta-feira (13) com a ocupação da sede do ICMBio em Santarém, protestavam contra o projeto de venda de carbono na área,  que afetaria as aldeias indígenas da reserva extrativista- RESEX Tapajós-Arapiuns.  Conseguiram, após intensas negociações, a suspensão do Projeto Demonstrativo de Carbono.

11925941_1041567179196388_27966325_n

Porém há ainda uma extensa lista de reivindicações, como a finalização das demarcações das Terras Índigena Sawre Muybu- do povo Munduruku e Terra Índigena Cobra Grande que é construída de três povos: Arapiun, Tapajo e Jaraki. Desde ontem (15), no encerramento da 1ª Conferência Regional Indigenista, de forma pacífica e garantido a segunça e integridade física, o Movimento Indígena do Baixo Tapajós, com apoio dos Munduruku do médio Tapajós, mantém dois servidores da FUNAI no Centro Indígena Maíra em Santarém, até que a pauta de reinvidicações seja atendida.

Nesse momento os indígenas negociam por Telefone com João Pedro Gonçalves da Costa, presidente da Fundação Nacional do Índio, a FUNAI, a Mobilizaçao indigena continua.