Vamos até o fim

Desde quando o governo brasileiro anunciou que entre os mais de 144 projetos hidrelétricos para toda a bacia amazônica estava o complexo de São Luiz do Tapajós, uma saga sem trégua e dia para acabar se travou com os legítimos donos de toda a bacia do Tapajós: Os Munduruku. Foram idas à Brasília, ocupações e até a expulsão de três pesquisadores que ousaram adentrar a área indígena sem autorização para fazer o Estudo de Impacto Ambiental da hidrelétrica São Luiz do Tapajós sem a devida consulta prévia. Habitantes da região há milhares de anos, eles formam a voz forte que vem do meio da Amazônia e gritam pela vida e cultura presente no Rio Tapajós. Os Munduruku agora estão precisando de apoio e contam com ajuda financeira para continuar resistindo e lutando pela permanência no território.

Campanha Munduruku from MiráPorã on Vimeo.

Eles se posicionam veementemente contra a inundação de 1.368 quilômetros quadrados de  floresta provocada somente pela barragem de São Luiz do Tapajós, uma entre as sete previstas para a bacia do Tapajós. Com  39 metros de altura, praticamente um prédio de 13 andares, o projeto promete ser erguido no último grande rio não barrado da Amazônia e compromete áreas protegidas, como Parque Nacional da Amazônia,  que é a primeira unidade de conservação demarcada na Amazônia Legal.  Com outras 11 unidades, essa área forma a bacia do Tapajós, um imenso e complexo aglomerado de biodiversidade, protegido e preservado por pescadores, indígenas e populações tradicionais há gerações.

A bacia do Tapajós, e toda sua biodiversidade, está em perigo. A área ameaçada é do tamanho da cidade de São Paulo e equivale a duas vezes e meia a inundação causada pela hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu, também no Pará.

Indígenas Munduruku autodemarcando o território da aldeia Sawré Muybu

Belo Monte é o anúncio de tudo de nefasto que ameaça os Munduruku. Então, em 2012, eles decidem ir até Altamira. Participam do encontro Xingu + 23 na vila de Santo Antonio,   primeira comunidade a ser extinta por conta do rolo compressor de Belo Monte. Lá, os Munduruku dão o recado e iniciam efetivamente a resistência contra os empreendimentos energéticos em seu território.

Após uma reunião com o governo marcada pela presença de todo o aparato opressor da  Polícia Federal, Polícia Militar e da Força Tática, “Lideranças Mundurukus são impedidas de participarem de assembléia em Jacareacanga”. Percebendo que esta é uma luta de todos os povos amazônidas contra um sistema de desenvolvimento invisibilizante e homogeneizador, no segundo semestre de 2013, os Munduruku voltam ao canteiro de obras de Belo Monte e,  em uma aliança formada por indígenas, ribeirinhos e pescadores, param a obra por quase um mês.

Os Munduruku continuaram sua luta contra o processo de imposição de saberes eurocêntricos sobre o desenvolvimento, progresso e gestão das comunidades.  Muitas vezes se vêem argolados e sem saída, mas continuam suas ações políticas e diretas, mostrando suas opniões e posionamentos. Podem ser citados vários momentos só esse ano: A expulsão de garimpeiros não-indígenas dos afluentes do rio TapajósO trancamento da Secretaria de Educação de Jacareacanga por causa da demissão em massa de professores Munduruku, e agora, mais recentemente,  a autodemarcação da aldeia Sawré Muybu, um território secularmente ocupado pelos Munduruku, que não tem qualquer reconhecimento oficial por parte do estado brasileiro, já que sua demarcação inviabiliza o projeto São Luiz do Tapajós, pois segundo a constituição povos indígenas não podem ser removidos a não ser em casos de desastres naturais ou epidemias.

Para  a resistência continuar é preciso o seu apoio. Eles agora fazem a autodemarcação e precisam de recursos para alimentação e combustível. Acreditamos que você pode colaborar na busca de justiça e paz do povo Munduruku. Ajude doando e repassando esta informação. Doações podem ser feitas a partir de R$3 e sua ajuda é extremamente importante.

Movimento Ipereg Ayu

Atuando desde o início de 2013, o Movimento Ipereg Ayu tem se dedicado ao fortalecimento das bases de luta contra as hidrelétricas, em um trabalho que visa principalmente a união do povo munduruku em prol da preservação de sua identidade e território, aspectos culturais ameaçados pelos grandes projetos. O movimento Ipereg Ayu criou uma entidade representativa para os Munduruku do alto Tapajós: A Da’uk (que em Munduruku significa taoca, espécie de formiga conhecida por caminhar em coletividade). Atualmente, todas as manifestações em defesa da permanência da vida no Tapajós são puxadas principalmente por este Movimento, que investe nas decisões coletivas  para a tomada de suas ações. Outra associação também se juntou ao Movimento Ipereg Ayu nos últimos meses. A Pahyhyp é uma associação de grande histórico no médio Tapajós e recenetemente decidiu  somar forças e integra-se à grande jornada Munduruku contra as hidrelétricas no Tapajós.

MiráPorã

MiráPorã é uma produtora independente que acaba de nascer. Seu primeiro projeto é o documentário ‘Índios Munduruku: Tecêndo a Resistência’ dirigido por Nayana Fernandez, e realizado inteiramente com apoio dos indígenas, especialistas da região e uma equipe técnica solidária e disposta em contribuir com a comunicação audio-visual das violações que estes povos vêm sofrendo. O documentário mostra a vida em uma aldeia Munduruku, onde as tarefas tradicionais são praticadas diariamente e as crianças crescem com uma liberdade admirável. O filme documenta o crescimento de sua resistência, que de diferentes formas sempre existiu, inclusive entre as mulheres, que têm papel fundamental nessa luta, e que agora também estão se levantando como guerreiras na articulação contra as barragens hidrelétricas. – Nayana é uma das editoras do Latin America Bureau (LAB), uma organização inglesa que registra e noticia os avanços e retrocessos de temas relacionados com direitos humanos, política, meio ambiente e movimentos de resistência na América Latina.

Amazônia em Chamas

O coletivo Amazônia Em Chamas é formado por jovens midialivristas amazônidas que desde 2012 acompanham a saga dos Munduruku. O início da parceria começou durante a primeira ocupação que os indígenas fizeram em Belo Monte. A união segue até então, sempre financiada com recursos próprios e sem o apoio de nenhuma grande organização. A colaboração acontece por meio da produção de vídeos, textos e fotos, como também com trocas de saberes e experiências sobre audiovisual, fotografia e cartografia, com uma perpectiva de construção horizontal de comunicação. Uma vez um indígena voltou-se a uma das integrantes do coletivo dando um pendrive e dizendo: “Pode colocar isso naquele site que publica os vídeos que a gente faz?”.  É exatamente isso que o Amazônia em Chamas se propõe: Proporcionar espaços colaborativos buscando a expressão de linguagens autônomas e independentes.

Para conhecer mais sobre os trabalhos do Amazônia em Chamas visite: http://amazoniaemchamas.noblogs.org/, http://www.autodemarcacaonotapajos.wordpress.com/, http://labcart.hotglue.me/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s